Porventura confiamos realmente nEle, abrindo-Lhe as partes do nosso ser?
"Devemos atrever-nos a dizer: "Senhor eu confio em Ti, entrego-me a Ti, com todo o meu ser, corpo, mente e espírito. Não quero esconder-Te segredo algum. Podes ver tudo o que faço e ouvir tudo o que eu digo. Já não quero que sejas um estranho.Quero que me conheças, não só enquanto caminho pela estrada e converso com os meus companheiros de viagem, mas também quando me encontro sozinho com os sentimentos e pensamentos mais profundos. E, acima de tudo, quero chegar a conhecer-Te, nao só como companheiro de viagem, mas também como companheiro da minha alma."
Falar assim não é fácil, visto que somos pessoas temerosas, e que abrimos facilmente todas as partes do nosso ser aos outros. O nosso medo de nos mostrarmos completamente abertos e vulneráveis é igual ao nosso desejo de conhecer e ser conhecidos.
Há certas partes do meu ser que até de mim próprio eu escondo! Há pensamentos, sentimentos e emoçoes perturbadoras que prefiro viver como se eles nao existissem.
Seu eu nao confio em mim próprio, como poderei confiar noutra pessoa? Contudo, o meu desejo mais profundo é amar e ser amado, e isso só é possível se eu estiver a conhecer e ser conhecido.
Jesus revela-se a nós como o Bom Pastor que nos conhece intimamente e no ama. Mas será que queremos que Ele entre livremente em cada divisão da nossa vida interior? Porventura queremos que Ele veja tanto o nosso lado mau como o bom, tanto a nossa sombra como a nossa luz? Ou será que preferimos que Ele parta sem entrar em nossa casa? Por fim, é esta interrogação que se levanta: " Porventura confiamos realmente nEle, abrindo-Lhe as partes do nosso ser?""
Henri Nouwen
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